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Para receber doações da Noruega, Brasil precisa “adequar” obras na Amazônia
ONGs e British Petroleum, o abraço de afogados
“Aquecimentismo”: a rebelião na Royal Society
Ilhas do Pacífico: mais um prego no caixão do “aquecimentismo”

Para receber doações da Noruega, Brasil precisa “adequar” obras na Amazônia

Rio, 7/jun/10 – Em fins de maio passado, as ONGs Instituto Socioambiental (ISA) e Rainforest Foundation Norway (RFN) realizaram em Oslo, Noruega, um encontro para discutir sobre os rumos do Fundo Amazônia que, até agora, tem como único doador o governo norueguês, com nada menos que um bilhão de dólares para financiar iniciativas de redução de desmatamento na Amazônia.

O encontro contou ainda com a participação do Ministro Conselheiro da Embaixada da Noruega no Brasil, Inge Nordang, representando o governo norueguês; do embaixador do Brasil naquele país, Sérgio Moreira Lima; do consultor do Ministério do Meio Ambiente, Tasso Azevedo, e de ONGs de outros países. [1]

Adriana Ramos, do ISA, discorreu sobre a experiência de ONGs no Comitê Orientador do Fundo Amazônia e reclamou da falta de clareza nos procedimentos e regras para orientar os proponentes, para o que deveria haver uma adequação de formulários e documentos do BNDES, gestor do Fundo. Já Azevedo informou que até agora o Fundo tem cinco projetos aprovados, envolvendo 30 áreas protegidas e diversas organizações, e concordou com a necessidade de dar maior transparência ao processo de análise das propostas.

Em resumo, a principal questão discutida girou em torno da crítica ao governo brasileiro como um todo – e para o BNDES em particular- que, sob a ótica dominante do encontro, têm como desafio buscar a coerência entre seus outros investimentos na Amazônia, de volume muito maior, e os objetivos do Fundo. Ou seja, se países alienígenas colocam dinheiro para “preservar” a Amazônia, o governo brasileiro tem que “adequar” a implantação de obras de infra-estrutura na região segundo os interesses daqueles países, e não os do Brasil. Que petulância!

Nada a se estranhar, tratando-se do ISA e alguns de seus patronos noruegueses: Fafo (Programa Norueguês para Povos Indígenas), Norwegian Church Aid, Embaixada da Noruega e a própria Rainforest Foundation Norway (RFN). Segundo documento da RFN, a entidade recebe fundos da Norad (Agência Norueguesa de Ajuda ao Desenvolvimento) desde 1997 e, posteriormente, também do Ministério de Relações Exteriores da Noruega. Diz o documento:

“Em 2007, a RFN recebeu, pela primeira vez, significativos fundos doados pelo Ministério de Relações Exteriores [MRE] da Noruega. Tal financiamento é mais fortemente sujeito às prioridades políticas que os acordos-quadro com a NORAD. Por conseguinte, o desafio principal de assegurar acordos futuros e ampliados com o MRE é manter o meio ambiente e os direitos dos povos indígenas como as principais prioridades da ajuda norueguesa. O MRE, provavelmente, detém o maior potencial para o crescimento contínuo da RFN com base em fontes de doações norueguesas” [grifos nossos]. [2]

Claro que existem os que duvidam das boas intenções do governo norueguês para com a Amazônia e seus silvícolas, mas, do ponto de vista estritamente técnico, tanto a RFN quanto este seu patrocinado, o ISA, poderiam ser chamados como “agentes de influência” daquele governo no caso em tela. O problema é que quando doações se misturam com interesses de nações, geralmente dá confusão, como se viu nas exigências feitas ao Brasil na reunião de Oslo.

Por outro lado, com as evidências que brotaram da reunião de Oslo e documentos citados, fica ainda mais difícil para os detratores de parlamentares, como o deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), ao apresentar suas argumentações para modificar o decantado Código Florestal, tem afirmado que várias dessas ONGs estrangeiras atuam no Brasil camufladas na defesa do meio ambiente quando, em realidade, estão representando interesses comerciais e outros de seus países de origem.

ONGs e British Petroleum, o abraço de afogados

Rio, 8/jun/10 – Na edição anterior, analisamos a estranha ausência de manifestações do Greenpeace sobre o catastrófico vazamento de petróleo da plataforma Deepwater Horizon, operada pela British Petroleum (BP) no Golfo do México (e que ainda não foi contido), em contraposição ao escândalo que os bravos “guerreiros do arco-íris” promoveram contra a Petrobras em decorrência do vazamento de petróleo (muitíssimo menor) ocorrido na Baía de Guanabara, em 2000.

Ocorre que o Greenpeace tem companhia – e das boas – em seu paradoxal e eloqüente silêncio sobre o “affair” ambiental que se desenrola no Golfo do México. Segundo matéria de capa publicada no renomado jornal estadunidense Washington Post, algumas das grandes ONGs ambientalistas que atuam no nos EUAs também silenciaram sobre o episódio por causa das suas ligaçõe$ com a BP. Em português não tão castiço, por têm o “rabo preso” com a petroleira britânica. [1]

Aos fatos.

A The Nature Conservancy (TNC) – maior e mais rica do mundo, lista a BP como um de seus parceiros. Mais que isso, a BP tem assento na direção do International Leadership Council – criado pela ONG -, e já recebeu mais de US$ 10 milhões da petroleira britânica, tanto em “cash” quanto em imóveis. É bom lembrar que a TNC atua fortemente no Brasil – onde faz acordos “verdes” com empresas do chamado agronegócio – e é freqüentadora habitual das páginas deste Alerta.

A Conservation International ( ou Conservação Internacional por aqui), recebeu US$ 2 milhões em “doações” da BP e criou parcerias especiais com a petroleira em diversos projetos, incluindo um que tratava de métodos de extração de petróleo. Além disso, entre 2000 e 2006, John Browne, então diretor executivo da BP, integrou a diretoria da ONG.

O Environmental Defense Fund (EDF), que também atua indiretamente por aqui, encontrou um jeitinho para burlar sua própria propaganda de não aceitar doações de empresas. Simplesmente criou uma entidade colateral, a Partnership Climate Action, em parceria com a BP, Shell e outras mega-empresas do mesmo calibre. No Brasil, como se recordam nossos leitores, Stephan Schwartman, do EDF, teve participação seminal na decolagem do mito Chico Mendes, na organização do famoso Encontro de Altamira (onde a construção das hidrelétricas de Belo Monte e outras da região foram adiadas por décadas) e na fundação do Instituto Socioambiental (ISA), onde ainda integra a Assembléia de Sócios, órgão máximo de decisão com todos os poderes da ONG.

Outros monstros sagrados do ambientalismo estadunidense – os lendários Sierra Club e Audubon Society – igualmente se “amasiaram” com a BP para criar um outro colateral, o American Wind & Wildlife Institute.

Como bem assinala o Washington Post, o prestígio e a credibilidade que essas mega-ONGs estadunidenses ainda tinham na mídia e na opinião pública estão afundando junto com a BP nas águas profundas do Golfo do México. Um autêntico abraço de afogados.

“Aquecimentismo”: a rebelião na Royal Society

Rio, 8/jun/10 – A veneranda Royal Society (RS) britânica, a mais antiga sociedade científica do mundo, não contava com celebrar os seus 350 anos envolvida em uma polêmica inusitada em sua história. Principalmente, tratando-se de uma polêmica envolvendo não apenas os princípios fundamentais da prática científica, cuja defesa e promoção é sua função precípua, mas também o tema no qual ela se consagrou como um dos baluartes – o chamado aquecimento global antropogênico.

O caso teve início em 2007, quando a RS colocou em seu sítio um documento intitulado “Controvérsias sobre as mudanças climáticas”, com o objetivo de refutar os chamados “céticos” do cenário do aquecimento global supostamente causado pelas atividades humanas. De forma nada científica, o texto afirma sua finalidade é esclarecer, embora não exaustivamente, “cada argumento contencioso que tem sido apresentado por aqueles que procuram distorcer e enfraquecer a ciência das mudanças climáticas”.

Ou seja, de saída, os críticos dos cenários alarmistas sobre as mudanças climáticas são acusados de “distorcer e enfraquecer a ciência”. E onde fica o ceticismo sadio e permanente como um dos pilares da atividade científica?

Em outra passagem, que contraria todas as evidências científicas concretas disponíveis, o documento afirma categoricamente: “A ciência aponta claramente para a necessidade de que as nações tomem medidas urgentes para cortar as emissões de gases de efeito estufa para a atmosfera, tanto quanto e tão rapidamente possível, para reduzir os mais severos aspectos das mudanças climáticas.”

Com tanta firmeza aparente, não admira que a posição da RS seja considerada um dos principais sustentáculos do suposto “consenso” sobre a responsabilidade humana no aquecimento atmosférico no período posterior à Revolução Industrial do século XVIII. Um de seus ex-presidentes, lorde May, costuma resumir assim a questão: “O debate sobre as mudanças climáticas está encerrado. De um lado, você tem toda a comunidade científica (sic) e, do outro, um punhado de pessoas, a metade delas malucos” [1]

Entretanto, nem todos os 1.300 membros da sociedade estão satisfeitos com isso. Por iniciativa do engenheiro elétrico sir Alan Rudge, um ex-membro do Comitê de Assessoria Científica do Governo britânico, 43 deles encaminharam uma petição ao presidente da RS, lorde Rees, acusando a entidade de se recusar a admitir as visões contrárias sobre mudanças climáticas e de exagerar a influência humana sobre elas, pedindo também uma revisão do documento “oficial” sobre o assunto.

A rebelião teve sucesso e o conselho de administração da RS nomeou um painel encabeçado pelo físico John Pethica, vice-presidente da sociedade, para produzir um documento “de consenso”, o qual deverá ser divulgado em setembro próximo. Ao mesmo tempo, lorde Rees se viu forçado a admitir a necessidade de correções. “Qualquer percepção pública de que a ciência está encerrada de alguma forma é totalmente incorreta – sempre há lugar para novas observações, teorias e medições”, disse ele.

Por sua vez, sir Alan afirma que a RS adotou uma “posição desnecessariamente alarmista” sobre as mudanças climáticas. “Eu acho que a RS deveria ser mais neutra e dar as boas vindas a contribuições críveis, tanto dos céticos como dos alarmistas. Ainda há muita ciência por ser feita antes que possamos ter alguma certeza sobre as mudanças climáticas e antes que nos imponhamos o pesado fardo econômico de cortar as emissões.”

Em entrevista ao editor ambiental do jornal The Times, Ben Webster, ele criticou também o agressivo patrulhamento ideológico imposto aos críticos do alarmismo climático: “Uma das razões pelas quais pessoas como eu estão se dispondo a colocar suas cabeças no cepo é que as nossas carreiras não estão em risco, por sermos rotulados como negadores ou defensores da Terra plana, porque dizemos que a ciência não está estabelecida. Infelizmente, o fustigamento de pessoas para silenciá-las tem sido bastante eficaz.” [2]

A retratação da RS é um marco para os esforços dos cientistas seriamente comprometidos com a missão precípua da ciência, de buscar permanentemente a verdade, no sentido de devolver os estudos climáticos ao campo do qual jamais deveria ter sido subtraído, o da verdadeira ciência e do bom senso.

Ilhas do Pacífico: mais um prego no caixão do “aquecimentismo”

Rio, 8/jun/10 – Muitos ainda devem se recordar quando, há apenas seis meses, na Conferência de Copenhague, representantes de pequenas nações situadas em ilhas do Pacífico bradavam que seus países estavam na eminência de desaparecerem com a elevação do nível dos oceanos causada pelo famigerado aquecimento global antropogênico. Algumas ONGs e cientistas engajados chegaram mesmo a afirmar que já havia ilhas sendo tragadas pelas águas do oceano.

Porém, um novo estudo geológico revela que ilhas do Pacífico que se acreditava estarem ameaçadas pelo aumento do nível do mar na verdade estão crescendo, e não afundando. As ilhas de Tuvalu, Kiribati e da Micronésia estão entre as que cresceram, devido ao acúmulo de restos de corais e sedimentos. O estudo, publicado na revista New Scientist, prevê que essas ilhas ainda existirão dentro de 100 anos. [1]

O estudo cobre 27 ilhas e foi feito ao longo dos últimos 60 anos. Usando fotos históricas e imagens de satélite, os geólogos descobriram que 80% das ilhas permaneceram iguais ou aumentaram – em alguns casos, dramaticamente. Eles afirmam que isso se deve ao acúmulo de detritos de corais e sedimentos.

O professor Paulo Kench, da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, diz que as ilhas não sofrem risco imediato de extinção:

“Esse prognóstico bastante sombrio para essas nações está incorreto”, disse ele, um dos participantes do estudo. “Agora temos provas para sugerir que a base física desses países ainda estará lá dentro de 100 anos, então talvez eles não tenham que deixar seus países”.

É bem verdade que os resultados do estudo precisam ser aferidos e discutidos mas, a julgar por sua extensão e metodologia, tudo indica se está cravando mais um prego no caixão do “aquecimentismo”.

Alerta Científico e Ambiental é uma publicação da Capax Dei Editora Ltda.
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