Home » Notícias » Salvador registra aumento de 38,8% em casos de afogamentos

Este ano, já foram registradas 718 ocorrências com três vítimas fatais

Dois adolescentes e um jovem de 23 anos entraram no mar da Praia de Pituaçu naquele domingo de fevereiro e tornaram-se as três vítimas fatais de afogamento em Salvador neste ano. Vinicius, 16 anos, Roberto, 23, e Robson, 14, tomavam banho no final da tarde, em frente ao Circo Picolino, quando não conseguiram retornar à areia. Neste horário, os salva-vidas já haviam desmontado o posto da região. Equipes do Salvamar ainda foram acionadas e tentaram resgatar os jovens, sem sucesso.

De acordo com o órgão, que é responsável pelo trecho entre o Jardim de Alah e a Praia da Aleluia, além de Ilha de Maré e Paramana, o número de afogamentos tem aumentado consideravelmente na capital baiana desde 2008, quando foram registrados 1040 casos com oito mortes. Em 2009, 1443 pessoas se afogaram e quatro morreram. E as 718 ocorrências registradas este ano já representam um número preocupante. Para Glauco Bastos, chefe de treinamento da Salvamar, imprudência e falta de respeito aos salva-vidas são as principais causas do aumento.

Equipe salvavidas Salvador

“São dois problemas sérios que nós temos hoje em Salvador. Primeiro é a falta de respeito com o profissional. Geralmente a população não respeita as dicas, não respeita a sinalização. O segundo problema é a falta de prudência. O ideal seria que a população respeitasse mais o próprio mar, respeitasse o fato de não conhecer algum local e evitasse ingerir bebida alcoólica em excesso para ir nadar”, diz Bastos.

Jovens e pobres
Os três jovens mortos no início do ano em Pituaçu estavam incluídos na faixa etária com mais casos de afogamentos: entre nove e 25 anos. Além disso, eles moravam distante dos clubes e das aulas de natação freqüentadas pelos soteropolitanos de classe média alta. Para o salva-vidas Fábio Sarraf, 38, as crianças que desde cedo têm o hábito de nadar estão em vantagem em relação àquelas que não possuem o mesmo costume.

Ele também acredita que a informação é a principal ferramenta para evitar esta realidade. “As pessoas que mais são vítimas não sabem quase nada sobre o mar. Deveria ser distribuído muito panfleto com informações sobre praias com maior número de afogamentos. A gente parte no boca-boca mesmo, vai lá, quando vê que uma pessoa pode ser vítima e diz: cuidado, a praia está perigosa”, ressalta Sarraf.

Concurso e Treinamento
Ampliar o quadro de profissionais e reforçar o treinamento são alternativas encontradas pelo órgão para aumentar a segurança dos banhistas nos últimos anos. Com o concurso público realizado em 2008, 150 novos salva-vidas passaram a trabalhar nas praias de Salvador. Eles responderam a uma prova objetiva, foram submetidos ao Teste de Aptidão Física (TAF) e passaram por treinamentos físicos e técnicos.

Se por um lado, entre 2008 e 2009, houve aumento no número de casos de afogamentos em Salvador, por outro, houve redução de 50% do número de mortes decorrentes destes casos. Porém, para Elmo Saad, 51, com 30 anos dedicados ao trabalho nas praias, o concurso público não foi o único responsável pela redução, pois, segundo ele, nem todos os candidatos aprovados estão interessados em exercer a profissão por vocação.

“Tem muita gente hoje em dia pensando somente no salário, no concurso, em ver a coisa como garantia de trabalho e não de salvar vidas. Mas não é só o dinheiro, precisa ter condicionamento, tem que pensar que vai passar o resto da vida tomando sol, malhando, como eu”, diz Elmo.

As praias com maior índice de ocorrências são:

Praia do Flamengo
Stella Maris
Jardim de Alah
Aleluia
Piatã

Fonte: Luana Marinho Nogueira | Redação CORREIO 24 Horas

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